Mais de 100 pessoas foram atendidas após vazamento de gás; Manaus segue em alerta
Manaus permanece em estado de alerta após o vazamento de monômero de estireno registrado na tarde de quarta-feira (15), nas instalações da petroquímica Innova, no Distrito Industrial, zona Sul da capital. Até a tarde desta quinta-feira (16), 107 pessoas procuraram atendimento médico, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Desse total, 104 receberam alta e três permanecem hospitalizadas em quadro estável.
Para conter o avanço dos vapores, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantêm o resfriamento externo do tanque atingido e a aplicação de espuma química, usada para reduzir a emissão de gases. Um perímetro de isolamento de 300 metros segue mantido ao redor da empresa, enquanto o Gabinete de Crise coordena a resposta integrada à ocorrência.
O vazamento espalhou um odor forte por várias regiões de Manaus, com relatos desde a zona Sul até áreas centrais e a Ponta Negra. A Defesa Civil orienta que moradores evitem circular nas proximidades da área industrial, mantenham portas e janelas fechadas caso sintam o odor do produto e procurem atendimento médico se apresentarem sintomas como irritação nos olhos, dificuldade para respirar, dor de garganta, tontura, náusea ou mal-estar.
Até agora, não há registro de mortes diretamente relacionadas ao incidente nem de feridos graves. Um óbito de um idoso com graves comorbidades está sendo investigado, mas, segundo as autoridades, ainda não é possível confirmar relação entre a inalação da substância e a morte.
Resfriamento e espuma química
De acordo com o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Ximenes Muniz, as equipes chegaram ao local sete minutos após o acionamento e iniciaram imediatamente o resfriamento externo do tanque. O trabalho contou com equipamentos de monitoramento térmico e, depois, com aplicação de espuma química para reduzir a liberação dos vapores.
“Nossa preocupação era evitar o agravamento da situação e a possibilidade de caminhar para uma explosão. Mantivemos o resfriamento e hoje cerca de 70% do produto já reagiu. Aproximadamente 80% do que está sendo expelido atualmente é vapor de água, resultado da espuma aplicada, e não estireno”, afirmou.
Segundo o comandante, medições feitas no entorno apontaram concentração de 6,8 partículas por milhão, índice abaixo do limite de 70 partículas por milhão considerado aceitável para exposição humana.
As evidências iniciais apontam que o incidente pode ter sido provocado por uma reação química espontânea no interior de um tanque de armazenamento de estireno. O acionamento automático de três válvulas de segurança evitou um cenário mais grave, mas provocou a liberação controlada de vapores sob alta pressão.
